06 Mar

“Oh pátria amada, idolatrada, salve! Salve!”

“Brasil, um sonho intenso, um raio vívido…”
Bonito. Romântico. Sonhador. Utópico e muito distante da realidade.
“Sonho intenso”?! Isso aqui?! Começo, a partir deste post, meus questionamentos a respeito desta nação onde (ainda) vivo.

Sim, sim. Podem dizer que eu reclamo de boca cheia, ou que ninguém nunca estará satisfeito… Já me acostumei a ler esse tipo de coisa no blog da minha prima. Mas ultimamente eu tenho visto cada vez mais motivos para sair daqui do que para ficar.

Confesso, tenho evitado televisão. Não, não sou um conspirador bitolado que acha que a mídia só faz mal à sociedade, blá blá blá. Eu apenas cheguei à conclusão de que noticiários hoje em dia só passam desgraças, e isso me enoja.

Hoje, num noticiário, assisti manchetes que me fizeram sentir vergonha de (ainda, ainda, ainda) viver neste país. Diga-me, como alguém pode estar satisfeito morando num Estado nacional no qual o progresso é desencorajado refreado mas com a frase “Ordem e Progresso” em sua bandeira?!

Como um amigo me disse há umas semanas atrás… “Tradição não faz mal, até ela começar a atrapalhar o Progresso”. O problema ao qual me refiro é essa maldita discução patética sobre “Pesquisas com Células-Tronco”. Tenho minha fé em Deus, tenho minha religião, e nem por isso acredito que um emaranhado de células seja um ser vivente com “Direito à vida, assegurado pela Constituição”. Poxa vida, tanta gente sofrendo com doenças relacionadas à medula e problemas genéticos, apenas dependendo da decisão do Supremo Tribunal só porque alguns fanáticos religiosos que não têm mais o que fazer resolveram se contrapor, mais uma vez, à evolução e desenvolvimento da ciência. Uma lástima, tanto conhecimento barrado por meras divagações teológicas. E o mais engraçado é que isso só acontece nas terras tupiniquins. E alguns ainda se perguntam “Por que o Brasil não vai pra frente?”

Dush…

Outra vergonha notícia que me deixou até com medo de deixar o país foi: “Dois homens são presos por furtar malas no Aeroporto de Cumbica”. Tá okay, todos sabemos que nada disso é novidade, mas poxa! Ao menos deixem que as pessoas que estão dando o fora dessa Terra da Bandidagem levem seus pertences, oras! É realmente engraçado comparar os noticiários daqui com os da Europa

“E o teu futuro (futuro???!) espelha essa grandeza, terra adorada (a-do-ra-da!). Entre outras mil, és tu, Brasil, oh pátria amada…”

Amo o Brasil. Sério. Terra bonita, clima supimpa. Esse território de 8.511.965 km² não tem culpa de abrigar tanta coisa ruim (Não, não me refiro ao procurado Lúcifer).
Por isso já começo a fazer meus planos para, no máximo em cinco anos, cair fora daqui e ir habitar bem longe, lá do outro lado do Atlântico.

Volto a dizer, amo o Brasil, mas como dizem por aí: “O Amor supera qualquer distância.”

02 Mar

Sapo de Fora

Bom, eu tinha um texto todo pronto em minha cabeça para colocar aqui ontem, mas depois de ensaios da banda, reuniões, tv, MSN, etc., algumas partes acabaram se desvanescendo em minha mente.

Ontem, saí de casa após o almoço, em direção ao centro. Detalhe: eu moro a duas quadras do Centro, e essa faixa de duas quadras (2×5, num total de 10 quadras) chama-se “Novo Centro” de Maringá. Bom, para todos que, alguma vez, nos últimos 3 anos, já passaram por aqui, não é novidade que estão construindo mais de troscentos novos edifícios comerciais e residenciais exatamente ao lado do “Centro”, daí o nome “Novo Centro”.

Beleza, até aí tudo bem. Ao passar em frente ao meu antigo colégio (1ª quadra do Novo Centro) e ver toda aquela ‘povaiada’ de uniforme, falando sobre trabalhos, provas, notas, percebi que eu ainda NÃO tinha me tocado que enfim terminei meu Ensino Médio!

Ôoow, felicidade! (Ótimo, agora sou um DESCOCUPADO, pois minha chamada na UEM ainda não saiu - Arquitetura que me aguarde!)

Uma quadra adiante, (situando: estamos na 2ª quadra do Novo Centro) uma mulher passa por mim, conversando aos berros com um senhor de idade: “Nooooooooossa, mas então AQUI é o ‘Novo Centro’?!!! Geeeeeeeeeeeeeeeeeeente, vejam só QUANTO PRÉDIO NOVO! Ooooooooooolha, que beleza que ficou, heim?! BUNITA essa cidade!!!”
Fiquei com do velhinho que a acompanhava, a doida não apenas GRITAVA, mas também gesticulava com as mãos e apontava!

“Sapo de Fora”, pensei…

Alguns passos depois, algumas mulheres me param na rua para perguntar: “Oi, você sabe onde fica o Mercado Super Muffato?” e eu, na minha santa paciência e com uma linda expressão de compaixão, respondi: “Ah, sei sim, moça! Sabe ali do outro lado da quadra? Onde tem uma placa BEM alta, escrito “SUPER MUFFATO” ? Então, é lá!!!”
Novo Centro - Maringá
“Sapo de Fora”, concluí….

E, pasmem, elas realmente acreditaram que eu estava sendo gentil, e não um sarcástico e irônico. Acho que me dou bem na carreira artística como ator (perguntem pra minha prima).

À essa distância eu já estava no Centro (3ª Quadra). Ao contrário da maiorida das cidades de nosso (desorganizado) país, Maringá resolveu educar as pessoas no trânsito. Agora quando nós, palhaços pedestres, chegamos numa esquina e pisamos na faixa de segurança, todos os automóveis são obrigados a parar, sob pena de multa e (vários) pontos na carteira. (Sim, gente, Maringá tem seu lado bom!) Assim, ao andar aqui nesta cidade, você não precisa ficar parando para os carros passarem (eles é que fazem isso pra você!).

Estava eu atravessando a Avenida Brasil (famosa por concentrar o comércio pobre da cidade - Shopping Center Brasil [a sua família merece!], Shopping Cic HM [o shopping da família!], entre outros dos quais não me recordo a musiquinha irritante pra lembrar o nome), quando um doido resolve não parar na faixa de segurança. Nós, palhaços, digo, pedestres, que já estávamos na metade da avenida recuamos e esperamos o motorista retardado passar. Numa sincronia impressionante, todos nós simplesmente olhamos para a placa do carro: “MIRASSOL - SP”.
Instintivamente, olhamos uns pros outros, balançando a cabeça negativamente e deixamos escapar o irrefutável “Sapo de fora!“.

O que eu realmente achei engraçado foi a sincronia dos movimentos, todo mundo olhando pra bendita placa pra confirmar se o cabra era de outra cidade…

Bom, não quero deixar uma má imagem da maneira como recebo sapos, digo, pessoas de fora. Quando quiserem visitar minha querida (verde e também arborizada) cidade, caros amigos, é só me avisarem, que eu os acompanho num tour aqui pela região, com o maior prazer e sem deixar vocês atropelarem nenhum pedestre (na faixa, o que seria pior…).

Maringá

29 Feb

“Conurbação”

Sempre achei esta palavra muito estranha, “conurbação”. Da primeira vez em que a ouvi, na 6ª série, numa aula de geografia, pensei que fosse algo (bem) besteirento. Soava pra mim como “Copulação” ou coisa do tipo, entende? Tente, por favor, entender como foi estranho ouvir aquela palavra pela primeira vez na vida. E depois ainda me vieram com o Verbo “Conurbar”. Nossa, aí sim a coisa soava mais estranha ainda, vejam: “Sarandi está conurbando com Maringá”, “Ponta Grossa e Campo Largo estão conurbando há anos”. Enfim, até hoje a palavra ainda me faz cócegas no cérebro.

Conurbação? Copulação!

Mas deixando essa parte de lado, pra quem (ainda) não sabe, Conurbação quer dizer:
“s.f. Aglomeração formada por uma cidade e suas cidades-satélites.”

Minha prima e eu escolhemos esta palavra por ter relação direta com o Megalopolis, e depois de dar uma bela viajada na maionese, percebi que não haveria palavra melhor do que conurbação para um Blog meu.

Fazia alguns dias que eu não passava ali no Mega, então ontem de madrugada resolvi me atualizar dos assuntos, e descobri que muitas das coisas sobre as quais minha prima tem pensado e questinado vai ao encontro de minhas idéias.

Nós temos idéias muito parecidas, fomos criados juntos e crescemos praticamente colados, mas depois da adolescência cada um acabou indo pra um lado (eu fiquei em Maringá, ela se mudou para Curitiba). Então passamos a viver afastados (fisicamente) um do outro, e conseqüentemente não era mais tão frequente os bate-papos cabeça.

Certas coisas sempre me encucaram a cabeça, afinal, duvidar é um sinal de que estamos ao menos pensando a respeito, e essas coisas foram simplesmente descritas por nada mais e nada menos do que ela! O engraçado foi que um não imaginava que o outro pensasse de maneira semelhante, por isso digo: foi uma “Conurbação de Idéias” (as minha endagações cresceram até colidirem com as dela, que também cresciam ao longo desses anos todos).

Bom, não sei se é estar me expondo demais (e quem mais se preocupa com isso, né mesmo? Olhem só o povão no Orkut), mas vou contar o que aconteceu… ano passado eu coloquei um piercing na orelha, em março (antes eu abominava a idéia); e depois fiz uma tatuagem nas costas, em novembro (sempre pensei no assunto)…

BUUUUUUUM! BUUUUUUUUUUUUUUUM!

Foi a primeira imagem que me veio à cabeça para tentar expressar o que deve ter acontecido.

Devido ao imenso respeito que tenho por minha mãe, ela foi a única pessoa para quem pedi alguma autorização para furar e tatuar. Pasmem, não houve brigas nem discuções, apenas um diálogo racional e pronto, autorização cedida! Confesso que até eu fiquei surpreso, pois minha família inteira é Batista, e a idéia de ter um parente “pintado e furado” é tão repudiada quanto ter Severus Snape como convidado de honra e padrinho para um (possível) casamento de Harry J. Potter (não, isso não foi um spoiler! “Harry morre no final e vai morar com os pais dele no Espelho de Ojesed“, isso sim foi um spoiler, grato).
Na minha igreja também é parecido, sei que os jovens levaram numa boa (abençoadas mentes jovens!), mas os mais velhos com certeza se escandalisaram com o ocorrido. Bom, se eu fosse realmente me manifestar toda a vez em que algo me “escandalisasse”, então precisariam aumentar o tempo das reuniões, pois, confesso, sou (muito) crítico e perfeccionista, mas isso não significa que eu precise meter o bedelho na vida dos outros.

Assim, com esse pensamento do tipo “Você tem vida? Então cuide você dela que eu cuido da minha” que eu e minha prima acabamos “Conurbando” certas idéias. E está aqui o resultado: um post que era pra ser apenas o “piloto”, mas que acabou tornando-se um “desabafando” misturado com “metendo a boca no mundo”.

(Viva a Conurbação de idéias e formação de Megalopolis mais intelectuais e menos miseráveis!)