#nerdpride? Pau no cool!
May 30, 2009 às 2:43 am por Fabiane Lima · Arquivado em cuRtura, divagações, mundo estranho

Depois que pessoas do calibre de Bill Gates começaram a dominar o mundo, todo mundo hoje quer ser nerd. Não importa que nerds sejam losers, inaptos socialmente e se vistam mal. Basta ter um gosto mínimamente parecido com o desse pessoal que eles já enchem a boca pra dizer: “Eu sou nerd!”
Ora bolas, não é porque você gosta de ler o Batman que já pode ser considerado nerd automaticamente. Quaquilhões de pessoas adoram quadrinhos nos seus mais variados gêneros, desde graphic novels até tirinhas. Não é porque elas não dão tanta importância aos quadrinhos como você que significa que elas não gostem. Elas só têm coisas melhores para fazer de suas vidas.
Ter quilos de gadgets dentro da mochila e não saber ir na padaria da esquina sem o auxílio de um GPS também não faz de você um nerd. Não é só porque você tem uma maquininha a mais que os outros que isso te faz especial. Só se for especial no sentido eufemístico que empregam para se referir aos débeis mentais. Já viu cenas das pessoas andando por aí nas ruas dos países mais desenvolvidos da Ásia e da Europa? É questão de tempo (e dinheiro) até que todo o mundo seja do mesmo jeito.
E desde quando saber usar um computador (montar, programar, etc) ou falar 38 idiomas, entre eles binário, C++ e Fortran é sinônimo de nerdeza? É, sim, sinônimo de inteligência. Porque, não sei se você sabe, caro candidato a nerd, mas nerdeza também não é sinônimo de inteligência. Por mais que tenham terabytes e terabytes de dados armazenados em seus cérebros e saibam fazer muitas coisas, isso não significa que sejam, de fato, inteligentes. Em caso positivo, nerds não seriam nerds.
Já inventaram até um subfilo que engloba nerds e metrossexuais: os tecnossexuais. Sério, ridículo. Só não é mais ridículo do que quem se auto-intitula tecnossexual.
Falando nisso, já tem gente até que diga que nerds pegam mulher, dá pra acreditar? Não estou dizendo que não pegam, afinal de que outro modo eles iriam se reproduzir? Se bem que há quem especule que nerds se propagam por meiose, mas por enquanto nada foi provado cientificamente ainda. De qualquer modo, de fato existem interações entre nerds e seres do sexo oposto, mas são dentro de seu próprio círculo fechado, seu universo paralelo. Por isso não é raro existirem bizarrices nesse meio. A genética explica.
Além disso, nerds não têm vida social. A menos que você considere aquelas convenções onde só vai gente da mesma laia deles e que só acontecem uma vez ao ano, como vida social. Campus Party? Nerd? Não me faça rir! Estou falando de coisas muito mais undergrounds. Campus Party e afins é praticamente uma rave. Nerds não vão em raves, quem vai em rave tem vida social. Você tem vida social, né? Não finja, eu sei que tem, estou vendo pela sua cara de ressaca.
Não adianta dizer que você é um pato só por possuir pé de pato, mas não ter nenhuma das outras características que definem um pato. Você pode muito bem ser um ornitorrinco. Ou um mergulhador.
Esse pessoal que insiste em querer ser nerd tem uma necessidade tão grande, mas tão grande de parecer inteligente que até gosta de comparar a si mesmo com grandes personalidades como Carl Sagan, Isaac Asimov e Stephen Hawkings. Eles são considerados nerds pelos nerds wannabe. Sabe por que estes homens brilhantes, de conhecimento incomparável, verdadeiros gênios, são considerados nerds? Porque eles são… cientistas! Entenda: uma coisa não está diretamente relacionada a outra. Você é cientista? Hum, imaginei.
Veja por exemplo a descrição que Carl Sagan fez dos nerds em seu livro Contato. Note que ele, através da personagem principal de sua obra, dá a entender que acha esse pessoalzinho repugnante:
Passava os dias com os outros estudantes: rapazes que traziam, pendurada nos cintos, a última geração de réguas de cálculo; rapazes com lapiseiras de plástico no bolso da camisa; rapazes empertigados, de riso nervoso; rapazes sérios que dedicavam todos os momentos em que não estavam dormindo à tarefa de se tornarem cientistas. Inteiramente absorvidos que estavam em sondarem os recônditos da natureza, eram quase néscios no que dizia respeito aos relacionamentos humanos comuns, área na qual, apesar de todos os seus conhecimentos, pareciam desastrados e rasos. Talvez a busca infatigável da ciência fosse tão exaustiva, tão competitiva, que não sobrava tempo para eles se tornarem seres humanos por inteiro. Ou talvez suas deficiências sociais os tivessem conduzido a campos em que esse problema não fosse notado. A não ser pela ciência, Ellie não os considerava boa companhia.
Se identificou com os colegas de faculdade de Ellie? Não? Então pare de se chamar nerd. Você não é nerd. Esse cara aqui sim é nerd:

Reconheceu? Pois é, quase ninguém mais lembra dele. Ele é Seung-Hui Cho. Ele invadiu o instituto onde estudava, onde diariamente era caçoado pelos garotos e ignorado pelas meninas, onde humilhação pública era uma constante, e meteu bala em todo mundo! Foi pra isso que ele usou todos os conhecimentos adquiridos na biblioteca e na internet, enquanto todo mundo estava rindo da cara dele. Cho não é o único.
Nerd que é nerd sofre bullying de fato. Nerd que é nerd morre de vontade de dar chumbo nos bullyers. Nerd que é nerd tem orgasmos só de pensar em mandar pelos ares as cabeças de vento dos aplicadores de chazões. Nerd que é nerd só não faz isso se não tiver culhões e/ou oportunidade.
Eu já fui esse tipo de nerd. Esse tipo não, porque nerd mesmo, nerd de verdade, nerd tr00, só existe de um tipo. E esse tipo é o tipo definido magistralmente pelo dicionário do Aks Jeeves (alguém além de mim lembra do Ask Jeeves?). Segundo o dicionário, a palavra foi usada pela primeira vez nos anos 50 e significa nada menos que… nerd.
Não entendeu? Fiz aí uma tagcloud pra compreensão ficar mais simples. Abaixo:

Portanto, meus filhinhos, se vocês querem mesmo comemorar o #nerdpride ano que vem, vocês todos que são tão ultra-coolest-thing-of-the-universe, que andam por aí tão cheios de amigos e acessórios, que passam o rodo nas menininhas, pensem. Pensem, nem que seja por uma fração de segundo no verdadeiro e original significado do termo nerd. Pensem em toda corrupção que este termo sofreu nos últimos anos, tudo fruto de gente que fechou o c* porque viu que a profecia de Bill Gates estava se cumprindo e usou a tática de “se não pode com o inimigo, junte-se a ele”.
E mentalizem junto comigo: “Eu não sou nerd”. Porque eu, esta que vos fala, também não sou nerd. Não mais.
Elvis Costello é que é nerd tr00, não você:
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O bebê de Rosemary
May 8, 2009 às 1:06 am por Fabiane Lima · Arquivado em divagações, mundo estranho

Há várias decisões em nossa vida que, de um modo ou outro, por mais drásticas que sejam, são reversíveis. Você pode ter perdido tempo fazendo um curso universitário que não era bem o que você queria, mas nada impede que você faça outro, se especialize em outra área, ou mesmo siga carreira sem diploma acadêmico. Você pode ter investido sua vida em qualquer coisa que não lhe tenha dado o prazer e bem estar que esperava, mas a qualquer momento você pode dar meia volta e começar de novo. Você pode ter cometido um crime grave (matado alguém, dado um golpe, invadido os computadores da Nasa, etc), mas você pode ter uma vida legal depois de pagar sua dívida com a sociedade.
Por mais que o inferno sejam os outros, as pessoas são aquilo que elas querem ser e, por mais que não façam, têm a força e o potencial de fazerem o que bem entenderem de suas vidas. Em suma, por mais que você modifique sua vida pra caminhos tortuosos, há uma boa parcela de chance de você poder consertar os erros na maioria das vezes.
Porém, há algumas decisões (ou mesmo “acidentes de percurso”) que modificam tão drasticamente a trajetória de uma pessoa que é simplesmente impossível voltar atrás. Um desses acidentes é ter filhos.
Conversando com a Layla a respeito de como as mulheres fodas¹ ficam insuportavelmente parecidas com nossas mães quando elas próprias se tornam mães, e me lembrando do meu horror ao procurar imagens de mulheres grávidas como referência para fazer uma ilustração para o trabalho, desenvolvi o seguinte raciocínio, que muito provavelmente não é original: filhos são nada mais que parasitas que sugam nossa energia vital.
Até os homens, que estão em vantagem em relação às mulheres em quase tudo (exceto, talvez, quando se trata de orgasmos múltiplos, hohoho!), sabem que ter filhos é prejudicial. Richard Gordon, em A assustadora história do sexo, diz na página 170 que “A doença e as dores da couvade [gravidez psicológica masculina] podem ser uma expressão indireta da culpa sentida pelo pai por colocar em perigo a esposa, ao engravidá-la”.
Ter filhos é tão prejudicial quanto ter uma solitária passeando nos seus intestinos. Veja só:
- Eles já começam a sugar suas forças a partir da instalação do embrião fecundado no útero da mulher. Usam sua energia, seu alimento, seu corpo para sobreviverem. A sua alimentação agora é em função daquele demônio, que vai crescer e se desenvolver progressivamente até que fique grande demais para habitar você e precise de mais espaço;
- Depois que sai para o mundo exterior, eles modificam a sua vida e os seus planos em função deles mesmos. Não são eles que são dependentes de você, é você que é dependente deles. Sua vida pessoal, social, profissional, sexual e psicológica vai às favas, porque depois que tem filhos você não pode mais sair com os amigos e ficar até tarde enchendo a cara, você não pode mais se dedicar ao trabalho com a eficiência de antes, sua libido cai², suas peitcholas caem, e você fica psicologicamente afetado por causa deles. E se qualquer coisinha acontecer a eles, é você quem enlouquece;
- Eles seqüestram emocionalmente os pais. São fofinhos, bonitinhos, rosadinhos. Mas basta abrir a fralda da criança pra ver que quem faz uma coisa daquelas não pode ser “de Deus”;
- Uma vez que eles já podem se alimentar e fazer suas necessidades sozinhos, logo após já terem revertido todos os valores da mãe (que era tão libertária quanto eles quando jovem, e agora não passa de uma velha coroca que repete os mesmos mandamentos de sua própria mãe), passam a sugar as finanças. Os pais lhe compram tudo, e muito mais da metade de uma compra de mês no supermercado são pra suprir as necessidades (e vontades) da peste;
- Adultos, eles abandonam o lar, afinal já exauriram a fonte, que agora se resigna a tentar envelhecer dignamente.
“Como assim você não quer ter filhos? Todo mundo quer!” Ou: “Um dia você muda de idéia!”
Todo mundo meio que tem essa necessidade biológica de multiplicar, isso é facilmente explicável através da biologia evolutiva, ou fazendo um estudo antropológico raso. Todo mundo quer viver eternamente passando aos descendentes o seu material genético. Eu prefiro pesar os prós e contras e me manter no “processo de feitura de filhos sem efetivamente chegar ao resultado de feitura de filhos”, se é que você me entende.
Por mais que seja uma necessidade natural para manter a espécie viva, se há algo que nos diferencia dos outros animais é a capacidade de raciocínio. Se depois de tantos argumentos você ainda não entendeu meu porquê, sinto muito.
Num adendo à Prisão Dinheiro, Alex Castro sabiamente diz:
É verdade, tudo na vida é muito mais fácil se você não tem filhos - o que, aliás, é o principal argumento para NÃO ter filhos.
Minha mãe, quando contesto algo que ela diz - porque, apesar da maioridade, ainda não pago meu próprio aluguel -, geralmente vem com aquela respostinha cliché de “quando você for mãe vai ser igualzinha à mim”. Não, mãe, eu não vou. Porque eu não vou ser mãe.
Pra finalizar, um videozinho ótimo que eu vi no Cracked:
¹Aquelas mulheres fortes que a gente conhece e em quem a gente se espelha, e que invariavelmente não são nossas mães.
²Não tenho fontes confiáveis, mas é o que dizem.
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Deus é onipresente
May 1, 2009 às 12:24 am por Fabiane Lima · Arquivado em divagações, mundo estranho
Leandro: Para que perder tempo com alguém que acha que umas palavras (oração) podem fazer um cisto atravessar a parede do útero? Prefiro gastar meu tempo com tricô. Tanta coisa interessante acontecendo no mundo da tecelagem, né? Todo dia sai uma variação do ponto cruz.
Fabiane: Ou de macramê. Aliás, já viu bordado russo? Imagino que os tapetes dos czares devam ser feitos assim.
Leandro: Belas peças de arte, diga-se. Excelente quantidade de pontos por cm², tapetes realmente consistentes.
Fabiane: ¬¬ Fui procurar imagens de bordado russo. Olha o que eu encontrei:

Lamentável!
Leandro: Huauhauhauauhauhauahuahuhauha!
Fabiane: Jesus me persegue. Esses dias recebi um email dizendo que ele estava me seguindo no Twitter. Nem segui de volta, não era divertido como OCriador, pai dele.
Leandro: Não tem para onde fugir! Esse, sim, é um fanfarrão de marca maior: criar o universo e tudo que há nele só para ficar que nem uma criança pentelha com uma lupa em cima de um formigueiro.
Fabiane: Lembrei de uma cena de “O Restaurante no Fim do Universo“.
Leandro: qual?
qual?
qual?qual?
qual?qual?qual?
qual?qual?qual?qual?qual?
qual?qual?qual?qual?qual?qual?qual?qual?
Fabiane:
A luz do sol atravessava as folhas e lançava um brilho sarapintado sobre as coisas que pareciam pêras. As coisas que pareciam framboesas e morangos eram mais rechonchudas e carnudas que quaisquer outros que Arthur já vira, mesmo em comerciais de sorvete.
— Por que a gente não come e deixa para pensar depois? — disse.
— Talvez seja isso que eles querem que a gente faça.
— Está bem, encare desta maneira…
— Começou bem — disse Ford.
— Estão aí para a gente comer. Não importa se são boas ou ruins, se eles estão querendo nos dar comida ou nos envenenar. Se forem venenosas e a gente não comer, eles simplesmente vão nos atacar de algum outro jeito. Se a gente não comer, a gente sai perdendo de qualquer forma.
— Gostei do seu jeito de pensar — disse Ford —, agora coma uma.
Hesitante, Arthur apanhou uma das coisas que pareciam pêras.
— Foi o que eu sempre achei sobre o Jardim do Éden — disse Ford.
— O quê?
— O Jardim do Éden. A árvore. A maçã. Essa parte, lembra?
— Lembro, claro que eu lembro.
— Esse Deus põe uma macieira no meio de um jardim e diz “vocês façam o que vocês quiserem, ah, mas não comam a maçã”. Surpresa surpresa, eles comem e ele pula de trás de uma moita gritando “Peguei vocês!”. Não teria feito muita diferença se eles não tivessem comido.
— Por que não?
— Porque se você está lidando com alguém que tem o tipo da mentalidade de quem deixa um chapéu na calçada com um tijolo embaixo para os outros chutarem pode ter certeza que ele não vai desistir. No fim ele te pega.
Leandro: Ah, você mandou. Estava tão entretido em mandar “quais” seguindo Fibonacci (nerds!!).
Fabiane: Merda. É inevitável, deus está em toda parte, esse maldito. Você colando “qual?” seguindo a… DIVINA PROPORÇÃO! Raios!
Leandro: Pense por outro lado: Fibonacci surgiu com sua famosa seqüência para resolver um problema sobre reprodução de coelhos. Assim, tudo surgiu por causa de sexo. Rock ‘n’ roll!
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Depeche Mode: Sounds of the Universe
April 23, 2009 às 2:48 am por Fabiane Lima · Arquivado em música, resenhas
Esta é uma real time review do disco novo do Depeche Mode, feita durante a primeira audição do disco, pegando a primeira impressão. A primeira impressão pode muitas vezes não ser a que permanece, mas isso não é regra. Vamo que vamo!

Ainda não identifiquei se essa fonte do título é uma Helvetica, uma Askdenz Groteske, ou outra similar… Mas essa capa tá bem construtivista, não?
Faixa por faixa
In Chains*: Ótima música pra se começar um disco. No início ouve-se um barulho de interferência, e um ruído que vai crescendo e ficando mais e mais alto. Então, uma melodiazinha é tocada e Dave Gahan começa a cantar uma música sensual e obscura. Me lembrou o Songs of Faith and Devotion.
Hole to Feed: Diferente do demo que vazou na internet (que, como muitas pessoas nas comunidades do Orkut comentaram, estava a cara do Hourglass do Dave Gahan), a versão final de “Hole to feed”, ao contrário, tem uma batida bem marcada. Promete ser uma grande música com um solo eletro-acústico maravilhoso, mas fica só na promessa. Vamos ver como ela se sai nas audições posteriores.
Wrong: Essa é a primeira música de trabalho do disco. Foi lançada com um clipe foda, cativa pela cadência que vai mudando ao longo da música, o backing vocal de Martin Gore acompanhando a voz de Gahan. Já virou baladinha apesar da letra sufocante.
Fragile Tension*: Já havia escutado a versão final nas interneta da vida e adorado. Tem cara de antigona, mas lembra bastante uma ou outra coisa do Playing The Angel, com os synths bem destacados acompanhados de guitarra, como eles vêm fazendo desde o final dos anos 80. O vocal é lento, mas o ritmo contagia, e me fez ouvi-la dezenas de vezes repetidamente quando a ouvi pela primeira vez.
Little Soul: De início, me remeteu a algo que não consegui dar nome, mas que era característico da banda. É uma música dura sonoramente, mas o vocal e a letra são suaves. E então, chegou o interlúdio final com uma breve guitarrinha, e eu pude adivinhar: tem algo do Violator ali.
In Sympathy*: Já veio a primeira batida e eu pensei: “Puppets? Resolveram resgatar os velhos ritmos?”. Aí entrou o sintetizador com a guitarra, numa coisa mais modernosa, junto com outros synths característicos de épocas, e coisas que me remeteram até ao Kraftwerk. Uma música de primeira categoria. Mas nada me tira da cabeça que essa batidinha é de Puppets. Se pá vão botar uma fita de rolo no lugar da percussão na hora do show como fizeram mais de 20 anos atrás…
Peace*: O início de Peace de cara me lembrou See You. Peace não é desse tempo. Ela é antiga, tem batida antiga, tem cara de antiga, mas o Depeche pode, porque, bem… é o Depeche! Eles têm culhões, têm bagagem pra fazer esse tipo de coisa. Se fosse uma dessas bandinhas novas querendo ser vintage só porque é moda eu ia torcer o nariz. Tem um coro bacana no refrão, e é daquelas que no show a galera vai levantar o bracinho e acompanhar o ritmo.
Come Back: Tal e qual a versão que vazou na internet meses antes do lançamento do disco. Lentinha, uma coisinha que lembra o Playing the Angel aqui, outra que lembra o Exciter ali. Ao menos é o que ME parece.
Spacewalker: Coisa que eles fazem sempre que acham necessário, mas que é algo freqüente, principalmente nos discos mais recentes - incluir uma faixa instrumental pra ajudar a dar liga no trabalho como um todo, ou reaproveitar algo bacana que acabou não sendo incluso em nenhuma faixa. Talvez tenha algo do Ultra nela.
Perfect: Mais uma com batidinha com cara antiga, mas uma música completamente nova. Sobre a letra (um universo paralelo onde as coisas são perfeitas), dá pra fazer uma lista de outras músicas deles com esse tema. Porem, a forma dela é diferente, apesar de manter a atmosfera dark. No refrão, que é mais “alegrinho”, dá até uma outra impressão da música, se não se prestar atenção na letra.
Miles Away*: Uma música bem mais dançante, se comparada às outras. Um pop bacana, gostoso de ouvir, contemporâneo sem ser boring (como tudo o que vem sendo feito ultimamente nesse universo), batida bem marcada, daquelas que você ouve enquanto caminha e vai marcando as passadas pelo ritmo da música. Com certeza será uma das próximas músicas de trabalho do álbum. Bobeou e é capaz de uma penca de bitch catarem um riffzinho dela pra fazer hit, como fizeram com “Personal Jesus“.
Jezebel: Vocal de Martin Lee Gore, essa é uma musiquinha calminha sobre uma dona que leva o cara pro mal caminho, como o nome dela (da música e da dona) pode sugerir. É a típica música que o Martin faria vocal. Acho que quando gravaram o demo já entregaram o microfone pra ele, falando “vai que é tua!”.
Corrupt: Digam o que disserem, a história do cara malvado que maltrata a guria, me lembrou “The dead of night“. De cara. Como a sua semelhante (ao menos pra mim), tem uma batida bacana, e uma acentuada diferença entre o refrão e as estrofes comuns. Apesar disso, tem guitarras distorcidas num jeitão meio Ultra, meio Songs of Faith and Devotion.
Em geral
Pra quem tinha medo de que o Sounds of the Universe acabasse se tornando um “novo-Exciter“: parem com este preconceito bobo! Tem sim coisa do Exciter aí, bem como de outros discos mais clássicos e mais bem recebidos pelo público que ele, o que em nada desmerece o trabalho. Ao contrário, aproveitaram o que sabem fazer de melhor, resgatando o antigo e mostrando pros zé-ruelas #comofas.
Apesar de eu ter feito uma salada de comparações com discos posteriores, não se deixe enganar: isso é um bom sinal. Adorei as batidinhas pré-1985 que eles usaram em algumas músicas, as semelhanças com outros trabalhos… nada disso é mera reciclagem do que já foi feito. É a junção de tudo o de melhor que os caracteriza, é o que os produtores da banda chamam de “DM clássico” no DVD The Best Of. Não fosse assim, ia ter uma pá de gente reclamando que “não tem cara de DM”.
A voz do Martin Gore aparece bem destacada por todo o disco. Em praticamente todas as faixas é possível ouvir sua voz, em intervenções que são muito bem vindas e enriquecem as músicas.
Em geral, este disco tem bem menos faixas que eu passaria direto numa audição corriqueira que o último álbum de inéditas. O Playing the Angel, apesar de ser muito bom, tem umas musiquinhas de lascar o cano, como a The Sinner in me - que se bobear nem lembro mais como é, de tanto tempo que não escuto.
Pra quem quiser saber como está o “visual” deste disco, veja aqui no Facebook oficial da banda.
*Músicas que eu dei replay imediatamente depois de ter ouvido o disco todo pela primeira vez.
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Como abortar um nerd
April 16, 2009 às 10:19 pm por Fabiane Lima · Arquivado em cuRtura, designer meia-boca, mundo estranho, pessoal

Tem coisas que acontecem com a gente na escola, lá nos primeiros anos, que nos marcam profundamente e determinam quem nós seremos pelo resto da vida, seja isso bom ou ruim.
Durante a vida escolar, abracei as Humanas, me dando muito bem em todas as áreas que exigissem escrever um lero-lero pra enganar os professores o uso das palavras (História, Geografia, Português, Língua Estrangeira, etc), mas falhando miseravelmente em qualquer coisa que envolvesse cálculo. Tudo por culpa de uma professorinha medíocre da segunda série que nunca reconhecia que estava errada. Criei um ódio tremendo por qualquer coisa que envolvesse números e acabei por não desenvolver direito meu raciocínio lógico.
Hoje eu sou designer por falta de capacidade para fazer um curso universitário de verdade.
UPDATE (17abr09 | 00:49): Eu sou Bacharel em Design Gráfico, tecnicamente um curso superior de verdade, classificado como sendo da área das Ciências Exatas, ou seja, uma ciência de verdade. O que eu quis dizer é que eu gostaria de ter capacidade pra fazer Engenharia, Física, Química, Ciência da Computação, coisas hard cores, respeitáveis, e que me garantam um bom futuro, e não um salarim merreca.
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Restart
April 2, 2009 às 9:46 pm por Fabiane Lima · Arquivado em divagações, manutenção

Entre ontem e hoje este blog esteve fora do ar por algumas horas e eu não dei pelotas para este fato. Não que queira me desfazer dele; ao contrário, este blog é uma daquelas poucas coisas que posso chamar de minhas. Mas caso acontecesse de perder todos os arquivos devido a alguma merda no host, eu não ficaria tão sentida assim: está mesmo na hora de dar um reboot nisso aqui.
Estava conversando com um amigo algum tempo atrás, ambos comentando a respeito do hábito de guardar relíquias, pequenos objetos, papéis, arquivos, emails antigos, como se eles próprios fossem o que representam, e não apenas uma simples referência. Dependendo das circunstâncias, isso é até saudável, mas por vezes se torna uma espécie de obsessão. Isso quando não nos trás uma tristeza não apenas melancólica, mas dolorida, sofrida, por tempos passados e oportunidades perdidas.
Na iminência de mudar de casa, dia desses fiz uma limpeza no meu armário, daquelas que não fazia há uns cinco anos, desde que terminei o ensino médio. Algumas dessas relíquias datavam da época em que eu era criança e traziam lembranças boas, enquanto que outras só serviam pra auto-flagelo, mas todas elas tinham algo em comum: estavam ali apenas ocupando espaço. Guardei as lembranças na memória, joguei fora tudo o que não poderia vir a ser útil, liberei um espaço generoso no armário, e reorganizei os ítens, dando mais importâncias às coisas que… er… têm mais importância.
Decidi que vou viajar mais leve, carregando apenas o essencial. E isso também vale para este blog. Aguarde.
Texto escrito ao som de “Unknown Caller“, do U2:
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Cadernos: dos personagens malvados
March 23, 2009 às 5:42 am por Fabiane Lima · Arquivado em divagações, tapando buracos

Se tem uma coisa que eu faço para meu cérebro não entrar em colapso é organizar meu pensamento visual e verbalmente. Esta mini-série em três capítulos será composta de trechos de coisas que escrevi em brainstormings criativos, divagações, e notas rápidas em cadernos e bloquinhos de anotações. O trecho abaixo eu escrevi em algum dia de meados de 2007, falando a respeito das motivações dos personagens malvados.
Possíveis motivos que levariam uma pessoa a querer dominar o mundo
- Zaphod Beeblobrox: fama, dinheiro, glamour, entre outros motivos fúteis.
- Lex Luthor: inveja do Superman, e por querer ter o controle da ordem mundial.
- Magneto: se livrar dos humanos e tornar o mundo livre para os mutantes.
- Cérebro: acha que os humanos são medíocres.
- Sauron: pra ter poder (?).Credo! O melhor motivo é o do Zaphod, que por sinal nem é malvado! Daí que isso significa que um vilão não precisa de uma premissa boa? Ele quer dominar o mundo e pronto, acabou?
Uma pessoa inteligente não quer apenas dominar o mundo. Aliás, uma pessoa inteligente não quer dominar o mundo. Ela quer um mundo melhor (sob sua própria definição sobre o que seria “um mundo melhor”), e tem boas idéias do que deve ser feito para isso acontecer. Ele é um malvado acidental! O vilão quer, na verdade, pôr ordem no caos instalado no mundo, descobriu uma forma de fazer isso e fez! E nessa brincadeira, há duas possibilidades:
- Ele virou prisioneiro das idéias
- Ele tomou gosto pela coisa

